segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Portugueses vão às urnas para eleger presidente

O conservador, Aníbal Cavaco Silva, é favorito para vencer no primeiro turno

O atual chefe de Estado e candidato, Aníbal Cavaco Silva, vota em escola de Lisboa, em Portugal O atual chefe de Estado e candidato, Aníbal Cavaco Silva, vota em escola de Lisboa, em Portugal (Patricia de Melo Moreira/ AFP)
Os portugueses comparecem às urnas neste domingo para eleger o novo presidente, em uma votação na qual o atual chefe de Estado, Anibal Cavaco Silva, um economista de centro-direita, é o grande favorito em um contexto de grave crise financeira.

No total, 9,6 milhões de eleitores estão registrados para votar entre 8H00 (6H00 de Brasília) e 19H00 (17H00 de Brasília). As primeiras estimativas devem ser divulgadas uma hora mais tarde, em virtude do fuso horário do arquipélago de Açores, que tem uma hora a menos que o restante do país.

Seis candidatos disputam a eleição, mas as pesquisas apontam que a votação pode ser decidida já no primeiro turno em favor de Cavaco Silva, do Partido Social Democrata (PSD).

O principal rival de Cavaco Silva, economista de 71 anos que tem entre 57% e 60% das intenções de voto segundo as pesquisas, é o poeta Manuel Alegre, apoiado pelo Partido Socialista e o Bloco de Esquerda. Mas o candidato de oposição tem apenas entre 20% e 27% das intenções de voto.

Em 2006, Cavaco Silva - que durante 10 anos foi primeiro-ministro (1985-1995) - venceu a disputa no primeiro turno com 50,5% dos votos, superando Manuel Alegre (20,7%) e o ex-presidente socialista Mario Soares (14,3%)

O presidente da República, figura muito respeitada em Portugal, é uma autoridade moral importante, mas seus poderes executivos são limitados, apesar de ter o direito de dissolver o Parlamento.

Protestos - Preocupados com o crescente desemprego e a pobreza, assim como com os três planos de austeridade adotados no último ano, os portugueses estão pouco interessados na eleição, que tem como única dúvida, segundo os analistas, o nível de abstenção, que pode ser recorde. Cadeados, tábuas e até um boi e uma vaca foram utilizados em vários povoados de Portugal para boicotar neste domingo as eleições presidenciais em protesto por problemas de infraestrutura, como acesso ruim à internet e falta de necrotério, entre outros motivos que causam indignação na população.
Na localidade de Gralheira, a 80 quilômetros ao leste do Porto, um boi e uma vaca foram amarrados na porta do centro de votação, impedindo a abertura do prédio. O motivo do protesto era a péssima cobertura de telefonia celular e de acesso à internet, cuja atual conexão é lenta e "cai constantemente".

Em Enxabarda, a 300 quilômetros ao nordeste de Lisboa, os eleitores não conseguiram começar a votar no horário estipulado porque a porta foi pregada com tábuas para exigir a reabertura da casa mortuária, cujas obras estão paralisadas por falta de pagamento.

Cerca de 50 pessoas desse povoado protestaram em frente ao centro de votação, enquanto a Guarda Nacional Republicana tentava abrir o prédio para que os cidadãos pudessem eleger o presidente.

A população de Lousã, a 230 quilômetros ao norte de Lisboa, também não conseguiu votar normalmente porque o colégio eleitoral foi trancado com cadeado para pedir uma linha de ônibus.

Na pequena aldeia de Muro, a 30 quilômetros ao sul do Porto, os integrantes da mesa eleitoral e os suplentes não compareceram, todos descontentes com o atraso das obras de transporte público.

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