Se o diário britânico vê no relato das conversações a "morte lenta do processo de paz", o magazine americano "Time" qualificou mais drasticamente a divulgação dos documentos: "Os Papéis da Palestina: o último prego no caixão do processo de paz."
Isto sucede quando os Estados Unidos estão confrontados com um dilema político sobre o projecto de resolução de imediato congelamento dos colonatos apresentado pelos estados árabes no Conselho de Segurança: vetar ou não?
As minutas das conversações israelo-palestinianas cobrem o período 1999-2010, mas as "revelações" fulcrais dizem respeito às negociações de 2008, no fim do mandato de George W. Bush e quando Ehud Olmert ainda era o primeiro-ministro israelita. Foi a última e desesperada tentativa de encontrar um acordo, perante o cepticismo da maioria dos analistas e diplomatas.
No material já divulgado há três pontos quentes. O primeiro seria a aceitação pela Autoridade Palestiniana (AP), de Mahmoud Abbas, sob fortíssima pressão americana, da anexação por Israel de todos os colonatos construídos em torno de Jerusalém, com uma excepção. Mais grave: o negociador Saeb Erekat teria abdicado do controlo palestiniano da Esplanada das Mesquitas, em que se situa a mesquita de Al-Aqsa, o terceiro lugar mais sagrado do islão, aceitando a sua tutela por uma entidade palestiniano-israelita.
A segunda concessão diz respeito ao "direito de retorno" dos palestinianos fugidos ou expulsos em 1948. Seria reduzido a uma dimensão simbólica. Jerusalém e o "direito de retorno" são pontos sensíveis para árabes e israelitas. Os diplomatas discutiam abertamente as modalidades de partilha da Cidade Santa, mas ninguém tinha dúvidas sobre a impossibilidade de Israel ceder no "retorno".
O problema dos líderes palestinianos é que o não podiam dizer, pelo menos antes de um "acordo final" aceitável em termos territoriais. O terceiro ponto diz respeito à cumplicidade entre Israel e a AP no combate ao Hamas em Gaza. Era algo conhecido mas também inevitavelmente escondido.
Quem perde?
A Al Jazira passou os documentos ao Guardian para assegurar a credibilidade. Se a televisão do Qatar parece visar politicamente AP, o jornal londrino denuncia preferencialmente a má-fé israelita. As "revelações" imediatamente permitiram ao Hamas denunciar a "traição" da AP e a sua "tentativa de liquidar a causa palestiniana". Um dirigente palestiniano, Yasser Abed Rabbo, acusou o emir do Qatar de ter mandado lançar uma campanha contra a AP. Diplomatas americanos exprimiram dúvidas sobre o rigor de algumas passagens.
Há, assim, duas leituras dominantes. Uma apresenta a AP a fazer concessões inaceitáveis para o orgulho nacional, o que pode prenunciar uma liquidação moral e política. A outra, seu reverso, é a demonstração da falsidade do argumento israelita de que "não tem interlocutor", quando os palestinianos "estavam desesperadamente dispostos a tudo", na expressão de um jornal israelita.
Em suma: a AP sofre novo golpe no seu já escasso prestígio e em Israel não há sinais de vontade negocial. A solução "dois estados" afasta-se do horizonte.
Em Setembro, Barack Obama apresentou a paz israelo-palestiniana como "um interesse estratégico americano", tendo designadamente em conta o conflito com o Irão, frisa no diário "Ha'aretz" o analista Akiva Eldar.
"Conclusão? O fracasso da viabilização da solução "dois estados" será visto como um fracasso da Administração Obama no seu esforço em perseguir os interesses americanos na região e por isso pode prejudicar os Estados Unidos
Isto sucede quando os Estados Unidos estão confrontados com um dilema político sobre o projecto de resolução de imediato congelamento dos colonatos apresentado pelos estados árabes no Conselho de Segurança: vetar ou não?
As minutas das conversações israelo-palestinianas cobrem o período 1999-2010, mas as "revelações" fulcrais dizem respeito às negociações de 2008, no fim do mandato de George W. Bush e quando Ehud Olmert ainda era o primeiro-ministro israelita. Foi a última e desesperada tentativa de encontrar um acordo, perante o cepticismo da maioria dos analistas e diplomatas.
No material já divulgado há três pontos quentes. O primeiro seria a aceitação pela Autoridade Palestiniana (AP), de Mahmoud Abbas, sob fortíssima pressão americana, da anexação por Israel de todos os colonatos construídos em torno de Jerusalém, com uma excepção. Mais grave: o negociador Saeb Erekat teria abdicado do controlo palestiniano da Esplanada das Mesquitas, em que se situa a mesquita de Al-Aqsa, o terceiro lugar mais sagrado do islão, aceitando a sua tutela por uma entidade palestiniano-israelita.
A segunda concessão diz respeito ao "direito de retorno" dos palestinianos fugidos ou expulsos em 1948. Seria reduzido a uma dimensão simbólica. Jerusalém e o "direito de retorno" são pontos sensíveis para árabes e israelitas. Os diplomatas discutiam abertamente as modalidades de partilha da Cidade Santa, mas ninguém tinha dúvidas sobre a impossibilidade de Israel ceder no "retorno".
O problema dos líderes palestinianos é que o não podiam dizer, pelo menos antes de um "acordo final" aceitável em termos territoriais. O terceiro ponto diz respeito à cumplicidade entre Israel e a AP no combate ao Hamas em Gaza. Era algo conhecido mas também inevitavelmente escondido.
Quem perde?
A Al Jazira passou os documentos ao Guardian para assegurar a credibilidade. Se a televisão do Qatar parece visar politicamente AP, o jornal londrino denuncia preferencialmente a má-fé israelita. As "revelações" imediatamente permitiram ao Hamas denunciar a "traição" da AP e a sua "tentativa de liquidar a causa palestiniana". Um dirigente palestiniano, Yasser Abed Rabbo, acusou o emir do Qatar de ter mandado lançar uma campanha contra a AP. Diplomatas americanos exprimiram dúvidas sobre o rigor de algumas passagens.
Há, assim, duas leituras dominantes. Uma apresenta a AP a fazer concessões inaceitáveis para o orgulho nacional, o que pode prenunciar uma liquidação moral e política. A outra, seu reverso, é a demonstração da falsidade do argumento israelita de que "não tem interlocutor", quando os palestinianos "estavam desesperadamente dispostos a tudo", na expressão de um jornal israelita.
Em suma: a AP sofre novo golpe no seu já escasso prestígio e em Israel não há sinais de vontade negocial. A solução "dois estados" afasta-se do horizonte.
Em Setembro, Barack Obama apresentou a paz israelo-palestiniana como "um interesse estratégico americano", tendo designadamente em conta o conflito com o Irão, frisa no diário "Ha'aretz" o analista Akiva Eldar.
"Conclusão? O fracasso da viabilização da solução "dois estados" será visto como um fracasso da Administração Obama no seu esforço em perseguir os interesses americanos na região e por isso pode prejudicar os Estados Unidos
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